tem sido uma sombra não saber. não sei como estás. não sei onde estás. não sei com quem estás. não sei se ainda me vês. não sei se decidiste escrever teu livro de contos. não sei se decidistes descansar um pouco das coisas que não precisas fazer, mas que procuras insistentemente. não sei se estás aqui ao meu lado, lendo o jornal no quarto todas as noites, enquanto leio o “livro da vez”e me lembro de ti, principalmente se algo me chama atenção e olho para o lado para te contar afoita e sufoco as palavras na garganta. não sei se estaria tudo igual ou tudo diferente. não sei se iríamos no abraçar comprimindo a saudades na força do encontro dos nossos peitos. não sei se tudo está errado. e, se tiver já não sei o que fazer. não sei o que teria sido melhor. viver também é bonito deste outro lado, ainda que sem tua companhia — um bonito de outro jeito, sabe? não sei se é verdade. não sei se me estás me lendo neste texto, me ouvindo em uma canção que fale por mim, em uma nota do jornal, num anúncio colado no poste enquanto esperas o sinal abrir, mas se estiveres, me diga: tu conseguiste ter algum tipo de certeza? pois eu não sei se me vou arrepender de continuar cavocando amor no terreno já machucado do meu coração. talvez eu descubra que não tenha amado ninguém. não sei se te amei, mas sei que todos os dias ainda sinto vontade de te amar. me desculpe se ainda estou aqui. não sei se vou conseguir desaparecer.
Cáh Morandi