
Tenho caminhado como se tivesse algum destino
Mas não tenho pra onde ir certo dias,
Nem tenho casa de alguém que me espere chegar.
Não posso ficar parada, sentada vendo a vida passar
Enrolo-me com meu cachecol de lã barata,
Empurro minhas botas tão forradas de algodão
E sigo reto nessa calçada que acompanha o mar.
Pensando em alguma possível rima,
Contando os segundos que passo sem nele pensar.
Céu cinza, mãos escondidas no bolso do casaco.
Bate essa brisa marítima tão fria e incessante
Olhos negros, pele de neve, lábios ainda rosados.
Estou cansando, minhas pernas estão gelando.
Eu olho pra trás e vejo nada.
De um lado é rua.Do outro é mar.
Na frente nada, nada nem ninguém pra me esperar.
Olho pra cima e é longe demais.
Pra baixo nada é seguro pra mim.
Então eu olho pra dentro
Numa esperança divina de algo encontrar.
E só vejo um abismo imenso,
Onde tão só e calmo
Palpita algo estranhamente vago
Do que um dia foi meu coração.
( Cáh Morandi )
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