abril 03, 2025

nunca fui 

tão feliz


deveria ser assim

toda vez ao falar de

uma história de amor, mas


eu nunca fui

tão feliz


também falam de uma história, talvez não de amor


Cáh Morandi 

perguntei a deus o que fazer

enquanto espero


vive


ele não disse,

mas sendo o que 

entendo sobre 

respostas, vivo


Cáh Morandi

 

nossos olhares têm sido

uma dança, com certo

desencontro entre o ritmo

e nossos passos


teu olhar me paralisa

meu olhar te desconcentra

mas ninguém cede, tenta

e não sei o que fazer 

porque só de vista

amor não existe


eu preciso que você

chegue mais perto, eu

preciso te enxergar

de dentro

Cáh Morandi 

tem sido uma sombra não saber. não sei como estás. não sei onde estás. não sei com quem estás. não sei se ainda me vês. não sei se decidiste escrever teu livro de contos. não sei se decidistes descansar um pouco das coisas que não precisas fazer, mas que procuras insistentemente. não sei se estás aqui ao meu lado, lendo o jornal no quarto todas as noites, enquanto leio o “livro da vez”e me lembro de ti, principalmente se algo me chama atenção e olho para o lado para te contar afoita e sufoco as palavras na garganta. não sei se estaria tudo igual ou tudo diferente. não sei se iríamos no abraçar comprimindo a saudades na força do encontro dos nossos peitos. não sei se tudo está errado. e, se tiver já não sei o que fazer. não sei o que teria sido melhor. viver também é bonito deste outro lado, ainda que sem tua companhia — um bonito de outro jeito, sabe? não sei se é verdade. não sei se me estás me lendo neste texto, me ouvindo em uma canção que fale por mim, em uma nota do jornal, num anúncio colado no poste enquanto esperas o sinal abrir, mas se estiveres, me diga: tu conseguiste ter algum tipo de certeza? pois eu  não sei se me vou arrepender de continuar cavocando amor no terreno já machucado do meu coração. talvez eu descubra que não tenha amado ninguém. não sei se te amei, mas sei que todos os dias ainda sinto vontade de te amar. me desculpe se ainda estou aqui. não sei se vou conseguir desaparecer.

Cáh Morandi

março 23, 2025

talvez dançar

tenha mesmo um

pouco de mágica que 

provoca algo no céu,

ou pode ser coincidência

que seja tu a me tirares

para dançar nas noites,

ao som da chuva 

no Ceará


milagre, mágica ou

sincronia, não importa.

tudo pode 

ser amor 

ser-tão:


eis o tempo de 

florescer


Cáh Morandi 

março 09, 2025

deixei de ser teu amor,

desisti de salvar para ti as memórias, para me sustentar um 
pouco mais nos teus dias.

deixei de perguntar sobre ti aos amigos em comum, deixei de ir aos 
teus lugares habituais para correr o risco dos encontros, deixei 
de te mandar as notícias interessantes que via por aí, 
deixei de contar publicamente sobre como 
o amor acontecia para mim após o nosso, 
deixei de provocar os sinais que enviava 
para ainda manter algo de mim em tua vida.

podes pensar que o fato de que não penses mais tanto em mim 
seja porque não me amavas tanto quanto imaginavas,

mas é mentira. mas deixo-te acreditar no que quiseres, 
menos de que eu fui sua dúvida.

Cáh Morandi

janeiro 21, 2025

contamos os pintas 

espalhada em meu colo,

os dias de sol deixaram 

sinais. vinte e seis, pois

fomos exatos 


acho que é disto que 

me lembrarei quando 

os cálculos de um amor

não darem mais tão certos:


a maneira que você resolveu

as dúvidas do meu corpo 



Cáh Morandi

janeiro 20, 2025

devia estar atenta de que

os nossos desejos podem 

acontecer, mas como poderia

lembrar? 


eu disse: “me esqueça, nunca 

mais me ligue”. assim aconteceu.

raiva de ti, raiva de mim por ter

que me convencer que o amor

acata ordens de alguém 

gritando em desespero


não me parece certo,

tu ou o amor podiam 

revoltar-se contra mim?

quebrem as minhas 

regras 



Cáh Morandi

janeiro 19, 2025

não saia em silêncio

você pode fechar a porta

quando, enfim, sair? 

bata, devagarinho, mas

o suficiente para que eu

escute da cozinha ou 

do quarto, faça barulho

por favor, deixe a chave 

cair, tropece no vaso de

espada de São Jorge, 

assobie para o cachorro

do vizinho que sempre está 

em volta, mas não deixe o

silêncio na tua partida, não 

desligue a música na tv, 

não desligue o chuveiro, não

tire a panela de pressão do

fogo, não saia pela porta 

dos fundos, não vá sem

dizer qualquer palavra desse

amor que foi repleto de 

poesia 



Cáh Morandi

janeiro 18, 2025

passei a tarde deste

sábado chuvoso 

a te procurar nas minhas

palavras, na tentativa 

de que o poema me

aquietasse, mas 


não sei me proteger 

da tua lembrança quando

os dias pedem afeto, mas


ao menos, de perder 

já não tenho medo


Cáh Morandi